Prefeito anuncia abertura de Hospital de Campanha, toque de recolher e lei seca em Uberlândia

Medidas visam atender pacientes com Covid-19 e frear o crescimento de casos positivos. Anúncio feito nesta segunda-feira (18) durante coletiva do prefeito e do secretário de Saúde também abordou estoque de oxigênio, transferência de infectados para outras cidades e vacinação da população.

Prefeito e secretário de Saúde durante coletiva em que anunciou Hospital de Campanha e toque de recolher em Uberlândia — Foto: Gabriela Almeida/G1

Uberlândia vai ter Hospital de Campanha, toque de recolher e lei seca como medidas de enfrentamento à Covid-19. O anúncio foi feito pelo prefeito Odelmo Leão (PP) nesta segunda-feira (22) durante coletiva de imprensa na Prefeitura.

As novas medidas devem ser publicadas em edição especial do Diário Oficial do Município (DOM) ainda nesta segunda e passarão a valer já a partir de terça-feira (23). Elas serão válidas por uma semana, mas com possibilidade de serem estendidas até que situação melhore.

Na coletiva, o prefeito e o secretário de Saúde, Gladstone Rodrigues, também falaram sobre o estoque de oxigênio, transferência de pacientes e vacinação da população.

Nesta segunda, a cidade bateu novamente o recorde de mortes causadas pelo coronavírus em um único boletim. Foram 19 óbitos e 301 novos casos.

Hospital de Campanha

O Hospital de Campanha será montado em áreas que possibilitem a instalação de leitos como o anfiteatro do Hospital Municipal. As vagas serão destinadas a pacientes que não têm coronavírus e estão internados em Unidades de Pronto Atendimento (UAI).

De acordo com Leão, durante a primeira fase da pandemia, que teve pico em setembro de 2020, os dados apontaram que o município suportou a demanda com a utilização de até 135 leitos. Atualmente, são 112 Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e outras 10 em processo de abertura no Hospital Municipal e no anexo montado no antigo Santa Catarina; as unidades têm, ainda, 140 enfermarias destinadas à pacientes com Covid-19.

“Fiz contato com o Ministério da Saúde, autoridades em Brasília para retratar a situação da cidade. Fiz contato com o chefe de gabinete do ministro Eduardo Pazuello enviando documentação com todos os dados da pandemia desde março de 2020. Trabalhamos exaustivamente para novas medidas e, por determinação do professor Gladstone, abriremos um Hospital de Campanha dentro do Hospital Municipal, em áreas em que a instalação de UTIs seja permitida”, afirmou o prefeito.

Segundo o secretário de Saúde, Gladstone Rodrigues, o Hospital de Campanha poderia ser montado na Arena Tancredo Neves – Sabiazinho, porém, a montagem levaria alguns dias. Além disso, a montagem será mais fácil de ser feita no Hospital Municipal por já ter parte da estrutura necessária.

“No Municipal já temos pontos de oxigênio e isso facilita. Também se for preciso poderemos utilizar o estacionamento com a montagem de tendas. A situação é muito difícil, nem camas hospitalares estamos conseguindo e talvez precisemos utilizar outros tipos de camas, mas em uma guerra se faz do jeito que é possível para salvar vidas”, afirmou Rodrigues.

Até o início da tarde desta segunda-feira (22), a cidade tinha 391 pessoas internadas nas oito Unidades de Atendimento Integrado (UAI). Destas, metade foi diagnosticada com coronavírus e 81 tem pedido de transferências para UTI.

“Vamos perseguir o objetivo de ter os 108 leitos no Municipal para paciente não Covid. A instalação vai ser parecida com a feita no anexo, abrindo aos poucos a partir da disponibilidade de recursos humanos, medicação e outros fatores”, acrescentou o secretário.
Abastecimento de oxigênio

Rodrigues também falou sobre o abastecimento de oxigênio na cidade, o que impacta diretamente na montagem do Hospital de Campanha. De acordo com ele, a empresa que fornece o produto não tem tanques disponíveis para a venda.

“Não sei por quanto tempo ela garantirá o fornecimento, pois a demanda cresceu muito. Na cidade, um tanque grande era abastecido de 15 em 15 dias e, agora, está sendo abastecido de três em três dias”, pontuou.

Transferência de pacientes

Nesta segunda-feira o MG1 mostrou que três pacientes de Uberlândia e um de Ituiutaba seriam transferidos para Alfenas, no sul de Minas. Gladstone confirmou que o pedido foi feito ao Estado no sábado (20) como forma de aliviar o sistema de saúde municipal, mas que apesar da liberação das vagas, a transferência ainda é avaliada por questões de segurança.

“Se em Coromandel transferiram 30 pacientes, retirar quatro de Uberlândia nos alivia muito pouco, mas é um começo. Só que para isso é preciso avaliar os critérios de transferência, pois transferir pacientes graves tem risco muito alto e é preciso todo o cuidado”, disse.

Toque de recolher e lei seca

O prefeito também afirmou que um novo decreto deverá ser publicado ainda nesta segunda-feira determinando toque de recolher na cidade entre 20h e 5h. A comercialização de bebidas alcoólicas também será proibida, durante todo o dia enquanto durar o decreto. A medida passará a valer nesta terça-feira (23) e permitirá apenas o funcionamento de hospitais e farmácias no período de recolhimento.

Segundo ele, as medidas foram tomadas após análise dos dados da doença na cidade na última semana. Leão não descartou a possibilidade de adotar medidas ainda mais rígidas.

“A partir de amanhã as 20h apenas farmácias poderão funcionar. Até o transporte coletivo vai ter que parar e as empresas terão que se adaptar para que seus colabores possam chegar em casa. A medida será válida por uma semana, mas será prorrogada por quantas vezes for necessária”, disse o prefeito.
O chefe do Executivo também informou que a Polícia Militar (PM) vai atuar para inibir que as pessoas fiquem fora de casa no horário de recolhimento sem justificativa ligada a problemas de saúde.

Vacinação

Sobre a vacinação no município, o prefeito disse que a aplicação não depende da Prefeitura, mas sim da chegada de novas doses. Segundo ele, com as vacinas na cidade, a imunização vai ocorrer da forma que for necessária.

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